pra escrever a sua boca em minha
"Ela representava o grupo típico de meninas incessavelmente apaixonadas. Seu sorriso tinha início na profundidade contida naqueles olhos donos de um brilho exorbitante, e tinha término no canto dos lábios. Colecionava poemas e, por vezes, recitava-os com toda a sua alma, talvez com o objetivo de despertar em quem a escutasse os sentimentos presentes em cada palavra, como se elas fossem saboreadas. Valorizava o amor, acima de todas as coisas, e mantinha consigo a crença de que nenhum indivíduo tem o potencial de ser feliz sem antes disso conhecer a arte de amar. Não destacava o amor correspondido, como a maioria das pessoas que a rodeava, acreditava nas superações e, segundo ela, estas só seriam alcançadas com o perfeito experimento de amar alguém mais do que a si mesmo e não enxergar reciprocidade. Dessa maneira resquícios de maturidade dominariam cada parte do verdadeiro eu de cada um, e os guiariam em outras ocasiões, que se sucederiam com maior intensidade a cada tentativa. Não tolerava a visão de alguém desistindo do amor, desistindo de sentir e, em suas palavras, desistindo de viver. Esse é o sentido da vida, valorizar as pequenas coisas e somá-las, transformando-as em grandiosos passos, que embora dolorosos seriam recompensados em uma determinada fase da vida, mas tão paradoxal ao ponto de ser intrinsecamente indeterminada. O sentido verídico está camuflado nas declarações, nas mãos entrelaçadas em cada esquina, nos sorrisos tão soltos ao ponto de provocar dores abdominais. Em tudo aquilo que é simples, mas complexo. Amargo, embora doce. Saudável, apesar de doentio. As explicações deveriam ser dispensadas, o que é bom deixa de ser inusitado e almejado quando se tem uma espécie de fórmula resoluta. E então eu apareci, e fiz da vida dela uma confusão, no nosso último encontro levei um buquê de tulipas vermelhas, as preferidas dela, justificava sua escolha por ver intensidade nas cores, degradês. Sorri como de costume e esperei que ela me retribuísse, mas isso não aconteceu. Ela soltou todas as palavras que acredito eu estavam engasgadas dentro dela por muito tempo, e o meu mundo desabava ao escutar cada uma delas. Naquele instante já havia me perdido na tristeza contida dentro de seus olhos, o brilho que tanto me prendeu deixou de existir, e visivelmente seria difícil arrancar um sorriso dela com o máximo esforço. Esperei por uma palavra trêmula, fitava suas mãos torcendo para que ela as estivesse apertando, como fazia sempre que estava nervosa, e nenhum dos sinais foram notados. Ela virou as costas, estiquei levemente uma de minhas mãos na tentativa de fazer com que ela me olhasse pela última vez, uma pequena esperança ainda existia, mas não florescia. E naquele momento vi o nosso fim. Como um flashback relembrei de todos os detalhes do tempo em que passamos juntos, e um intenso arrependimento me dominou ao lembrar das noites em que preferi muitas a uma só. De quando saí com meus amigos e não a levei comigo por ser machista e fútil. Senti vergonha, vergonha de ser quem eu era, vergonha de ter destruído os sonhos da melhor pessoa do mundo, da única que me amou verdadeiramente e se fosse preciso daria sua própria vida por mim, trocaria seu sorriso por lágrimas, só pra me ver sorrir. E pedi, no mais íntimo de meu ser, que ela não deixasse de acreditar, que um dia encontrasse alguém com os mesmos pensamentos oriundos daquele coração de flor, valorizando paradoxos e contradições, desejos e almejos, sorrisos e abraços, amargo e doce.. E acima de tudo, sem um fim, porque mais doloroso do que isso, foi o nosso fim.”
Sobre como perdi você.
"A chuva é o vento que leva, o sol é o vento que traz. Estopim adjetivado avassalador, você e esse sorriso solto, singelo, dengoso… Tinha a sensação de estar perdendo o ar todas às vezes que esboçava um deles. Por vezes, acredito que meus sinais foram evidentes demais, apertava as mãos e castigava o inferior de meus lábios tentando controlar a intensa vontade de avançar em você e te beijar, fazer dos nossos corpos um só, e ter a sensação de um mundo externo completamente deserto, vazio, estagnado. Tenho a impressão de que você gostou de saber o poder que aquilo repercutia sobre mim. Passou a me lançar também uns olhares discretos, porém intensos, provocando em mim, mais tarde, uma loucura ainda maior em desvendar alguns segredos seus, ou quem sabe algum sinal, um ponto fraco, precisava ter cartas nas mangas. Minha intenção, quando as descobrisse, seria as esconder. E, apostaria nelas no momento em que você possuísse a certeza de me ter em suas mãos. Um jogo perigoso, reflexo dessa tua escassez de ser previsível…Tentativas frustradas, você me prendeu. Me prendeu quando passou a cantarolar meus sons favoritos, e inexplicável foi a minha dificuldade em me desprender da sua voz, ecoando em minha mente sempre que visualizava o seu rosto. Me prendeu quando passou a tocar minhas mãos levemente sem se encontrar intencionado, e entrelaçar seus dedos nos meus justificando seu ato através da mesma falta de intenção. Tão solto, tão sagaz, e lindo, lindo demais. Me prendeu, finalmente, quando encontrou nossos olhos, direcionou os seus aos meus lábios, e esboçou novamente aquele sorriso. Me envolveu em braços quentes, e me deu a honra de me perder em seu beijo, seus beijos, seus milhares de beijos. E ao invés de equalizar o meu desejo, o aumentou proporcionalmente, me fez te querer ainda mais, ser sua, de todas as formas que possíveis fossem. Me roubou, sem possibilidade de devolução, e me entreguei. Sem cartas na manga, sem facilitações, sem possuir direitos sobre o meu próprio corpo. Veio assim, com o vento que aquele dia ensolarado trouxe, e se foi, com a chuva que agora assiste meus desejos nostálgicos, que vejo escorrer pela janela, deixando suas marcas, feito essas, que deixou dentro desse coração, que saudoso, embora mais lento, vive chamando o teu nome, como quem grita, se esforça, e não consegue ser escutado. Como quem berra, e percebe suas falhas. Como quem não compreendeu o fim de um início perfeito, de um estopim avassalador, e talvez por assim ser adjetivado, tenha sido um erro, que gostaria de cometer novamente, até o fim dos tempos.”
Esse mesmo vento que leva, e acaba trazendo. 
"Percorri os olhos por cima dos ombros a fim de me deparar com resquícios de felicidade. As lágrimas já não percorrem meu rosto, apesar da terrível sensação de saudosismo de quem fui um dia. No momento em que vos falo não vejo a possibilidade concreta de fechar ciclos, tudo está visivelmente contínuo, como o tracejar de uma reta… É triste, me entende? Alguém bagunça a sua vida, te rearruma, e num tilintar de dedos vai embora. Quem dera se a partida não arrancasse o que é bom, o que levamos tempo pra construir, o que é nosso.”
Ou costumava ser. 
"A porta da sala de aula rangeu. Precisei tocar discretamente o peito afim de conter as batidas frenéticas de um coração tão bobo. Quanto a ele? Nem um sinal… Mais um rangido! O amigo bobo parece ter entendido o recado e, ao menos dessa vez, conteve-se. O desvio de meus olhos - de tão súbito - fez a musculatura doer. Qual a dificuldade em ser discreta sem afetar um órgão diferente a cada tentativa? Outro rangido. A essas alturas já não importava a discrição, só queria culpá-lo por deixar alguém apaixonada de um jeito tão ridículo! Culpá-lo? Culpar? Culpa? De que raios estou falando se esse perfume vem da porta? Apresento-lhes a personificação da beleza acalmando o coração mais indiscreto do mundo. A postura completamente desconectada do redor. O ritmo corporal praticamente me cantando o que se esconde nos fones de ouvido. Quase posso visualizar 0,0001% do que ainda me restou de razão com os dedos cruzados a implorar pra que ele guarde o sor-ri… Droga! Ele sorriu.”
Vai soar como um clichê adolescente. 
"Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo. É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.”
Martha Medeiros.
"Ainda que a minha mente e o meu corpo enfraqueçam, Deus é a minha força, Ele é tudo o que eu sempre preciso.”
Salmos 73:26 
"Eu prefiro ficar longe porque toda vez que fico perto eu me perco, você tem uma facilidade enorme pra me tirar dos eixos. Minhas pernas tremem, meu coração acelera e eu fico sem reação quando estou com você.”
Para alguém que talvez nunca irá ler.
"A gente não faz ideia de como mudou até que a mudança já tenha acontecido.”
O Diário de Anne Frank.  
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